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Defendendo-se da frustração

O SEGUNDO inimigo [do acadêmico em tempos de guerra] é a frustração – o sentimento de que não temos tempo suficiente para terminar as coisas. Se eu lhe disser que ninguém tem esse tempo e que a mais longa vida humana faz de qualquer pessoa, em qualquer área do conhecimento, um iniciante, posso até parecer estar dizendo algo acadêmico e teórico. Você ficaria surpreso em saber o quão cedo começamos a sentir que a corda é bem curta, que são muitas as coisas para as quais, mesmo na meia-idade, somos obrigados a dizer: “É tarde demais para isso”, ou “Isso não é para mim”. Mas a própria natureza nos proíbe admitir esse tipo de experiência. Uma atitude mais cristã, que pode ser alcançada em qualquer idade, é deixar o futuro nas mãos de Deus. E é bom que façamos isso, porque a Deus pertence o nosso futuro, não importa se o deixamos em suas mãos ou não. Jamais confie, seja em tempos de guerra ou de paz, a sua virtude ou felicidade ao futuro. São mais felizes no trabalho aqueles que não levam os seus planos de longo prazo tão a sério e que, a cada instante, trabalham “como que para o Senhor”. Somos encorajados a pedir o nosso pão diário, e nada mais. O único tempo em que podemos cumprir qualquer tarefa ou receber qualquer graça é o presente.

– de The Weight of Glory [Peso de Glória]

Retirada de Um Ano com C. S. Lewis (Editora Ultimato, 2005).

Coração rasgado

Rasguem o coração, e não as vestes (Jl 2.13a)

Era um costume multissecular rasgar as vestes em sinal de contrição, de temor ao Senhor, de sofrimento atroz. Começou entre os patriarcas, atravessou toda a história dos juízes, dos reis, dos sacerdotes e dos profetas, passou pelo período interbíblico e entrou na era cristã.

Jacó, Josué, Jefté, Tamar, Davi, Acabe, Ezequias, Josias, Esdras, Marloqueu, Jó, Caifás e até Barnabé e Paulo (At 14.14), todos rasgaram solenemente suas vestes em alguma ocasião. A cerimônia virou rotina e quase sempre era desacompanhada da verdadeira contrição e de outros atos que deveriam acontecer simultaneamente. Tornou-se legalismo, que é uma distorção da obediência e uma tentativa de fazer as vezes dela.

 É por esta razão que Deus ordena a Israel: “Rasguem o coração, e não as vestes” (Jl 2.13). Deus manda trocar gestos exteriores, muito mais fáceis, por um gesto interno que de fato poderia ser de valor aos olhos dele. Esse rasgar do coração provocaria o retorno da pessoa ao Senhor.

 Não me deixarei enganar pelo legalismo, que me torna arrogante e crítico azedo de todo mundo.

Retirado de “Refeições Diárias com os Profetas Menores” (Editora Ultimato, 2004).

Viver a Vida: Um festival de traições

A psiquiatra Carmita Abdo, professora da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, e coordenadora do Projeto Sexualidade do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da USP, que fez a pesquisa sobre o comportamento sexual do brasileiro, em 2000 afirma que o relacionamento extraconjugal já foi incorporado pela cultura brasileira, mesmo que isso não seja o que as pessoas almejam”, Segundo a médica apenas um em cada quatro brasileiros casados espera fidelidade do parceiro. Isso significa que 75% das pessoas comprometidas acreditam que, mais cedo ou mais tarde, podem ter de encarar a traição. Os dados são de uma pesquisa que ouviu mais de mil pessoas casadas (ou com parceiro fixo) no Brasil.

Uma pesquisa recente da Universidade Federal do Rio de Janeiro aponta que 60% dos homens confessam a traição contra 47% das mulheres. Esses dados são o resultado de um estudo que vem sendo feito desde 1989 por Mirian Goldenberg, professora do departamento de Antropologia Cultural do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais.

Para piorar a situação a Novela global “Viver a Vida” incentiva e promove um festival de traições. Na verdade, quase todos os seus personagens estão envolvidos em relacionamentos adulterinos onde a filosofia reinante é o hedonismo. Infelizmente em pleno horário nobre o que se vê na principal emissora de televisão do país é a ênfase em amores proíbidos e puladas de cerca onde que mais importa é a satisafação e o prazer pessoal.

Caro leitor, o adultério sempre foi e sempre será fonte de marcas, mágoas, dores e desgraças. A separação e falência conjugal são hoje uma gravíssima epidemia que tem vitimado milhões de pessoas em toda planeta. Isto posto, tenho plena convicção que como crentes em Jesus não nos é possível tratarmos com naturalidade comportamentos adulterinos. Antes pelo contrário, temos por dever confrontar de forma clara e objetiva este comportamento imoral. Além disso, cabe a nós chorarmos diante do Senhor, pedindo perdão pelos pecados de uma nação que teima em desrespeitar os valores da decência e moralidade.

Por – Renato Vargens

Além dos limites

Só se vêem […] roubo e mais roubo, adultério e mais adultério; ultrapassam todos os limites! (Os 4.2)

O profeta estaria inventando? Estaria exagerando? Teria ficado louco? É verdade mesmo que só se viam maldição, mentira e assassinatos, roubo e mais roubo, adultério e mais adultério, que o derramamento de sangue era constante e que seus contemporâneos ultrapassavam todos os limites?

Como foi possível acontecer tudo isso naquela época (mais de 700 anos a.C.), numa faixa de terra pequena e no meio de um povo que conhecia de cor os Dez Mandamentos e que havia sido chamado e treinado para ser “uma luz para os gentios” (Is 49.6)? Como foi possível chegar a este ponto de deterioração moral numa época em que não havia televisão, internet, revistas e filmes de violência e pornografia, tráfico de drogas e turismo sexual?

A verdade é que a humanidade não muda, é sempre a mesma, ultrapassando “todos os limites”, repetidas vezes. “Não há nada novo debaixo do sol” (Ec 1.9), nem nas eclosões do caos moral e espiritual.

Não ultrapassarei os limites que Deus tem me imposto, por sua misericórdia!

Refeições Diárias – Ultimato.

Terremoto no Haiti e a letargia cristã

Eu estava na cozinha preparando um “sudado de mero no molho de cerveja”, quando meu sogro nos deu a notícia da tragédia no Haiti. O catastrófico terremoto de 7 pontos na escala Richter deixou milhares de vítimas no país mais pobre da América. Um hospital, a sede da força de paz da ONU e o palácio presidencial foram parcialmente destruídos. “È uma grande catástrofe”, disse o embaixador haitiano, que pediu ajuda internacional para minimizar os danos.

Lembrei que em 2008 conheci uma vocacionada que estava muito feliz em servir como missionária no Haiti. Passaram dois anos e não tive mais contato pessoal com ela, mas soube por terceiros que conseguiu ajuda financeira para realizar sua missão. Só não sei em que cidade ela está (mas acho que isso não faz tanta diferença, uma vez que o país é uma pequena faixa numa pequena ilha, e dificilmente alguma porção de terra não tenha sido atingida).

Pensei nas postagens de fim de ano, quando comentei acerca da miséria neste país, e do texto do amigo Márcio de Souza, no qual ele fala dos paupérrimos biscoitos de barro, que tapeiam a fome de milhares de miseráveis haitianos. Os documentários que vi, embora não ofereçam um completo panorama histórico, nos permitem vislumbrar a gritante necessidade daquela gente. São 10 milhões de pessoas, a maioria vivendo em condições subumanas, volta e meia se organizando em conflitos e revoltas que a nada conduzem.

Me entristeceu o fato de que, passado o calor das notícias, o mundo esquecerá novamente os habitantes da ilha, e novamente dará as costas ao povo haitiano. Senti cólera ao pensar nos pastores que encontram neste trágico episódio apenas uma ilustração para o sermão de domingo, que certamente versará sobre o juízo de Deus sobre as nações ímpias. Me irritei com o fato de estar desfrutando um saborosíssimo peixe sudado em salsa de cerveja, enquanto uma multidão de gente permanece soterrada. “Tentei chorar, e não consegui”, exclamou o poeta Renato no final da música Índios. Agora entendo exatamente o significado de cada letra desta frase.

Jesus aclarou que o aumento da impiedade resultaria em frieza de coração. E tantas são as catástrofes, e tamanha é a opressão, e na mesma proporção o abandono e a violência, que acabamos por nos transformar em máquinas sem coração. O clamor do aflito não perturba mais, pouco importa se há um menino dormindo debaixo de viaduto no Rio, ou se no lar do sertanejo se come pirão d’água, e não ligamos se em algum lugar uma garotinha é vítima de incesto.

Leio a notícia da grande tragédia no Haiti, e aos poucos percebo que ela não é tão maior que a nossa tragédia cotidiana, de se esforçar ao máximo para ser aquilo que não somos. “Grande é esse mistério. Digo-o, porém, por causa de Cristo e da igreja”. Se a igreja denominacional é a representação fiel do corpo de Cristo e seus agentes no mundo, então sinto muito, mas Ele anda muito mal representado!

Espero que Cristo salve os haitianos. E oro para que com eles, nos salve também, pois cada vez mais estou convicto de que Jesus precisa salvar os evangélicos.

CASAMENTO!

É uma instituição divina pela qual um homem e uma mulher se unem por amor numa comunhão social e legal com o propósito de estabelecerem uma família.

Criou Deus, pois, o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou. E Deus os abençoou e lhes disse: Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra e sujeitai-a; dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus e sobre todo animal que rasteja pela terra. Gênesis 1.27-28

Disse mais o SENHOR Deus: Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma auxiliadora que lhe seja idônea. Havendo, pois, o SENHOR Deus formado da terra todos os animais do campo e todas as aves dos céus, trouxe-os ao homem, para ver como este lhes chamaria; e o nome que o homem desse a todos os seres viventes, esse seria o nome deles. Deu nome o homem a todos os animais domésticos, às aves dos céus e a todos os animais selváticos; para o homem, todavia, não se achava uma auxiliadora que lhe fosse idônea. Então, o SENHOR Deus fez cair pesado sono sobre o homem, e este adormeceu; tomou uma das suas costelas e fechou o lugar com carne. E a costela que o SENHOR Deus tomara ao homem, transformou-a numa mulher e lha trouxe. E disse o homem: Esta, afinal, é osso dos meus ossos e carne da minha carne; chamar-se-á varoa, porquanto do varão foi tomada. Por isso, deixa o homem pai e mãe e se une à sua mulher, tornando-se os dois uma só carne. Gênesis 2.18-24

É permanente e só pode ser dissolvido pela morte (Ora, a mulher casada está ligada pela lei ao marido, enquanto ele vive; mas, se o mesmo morrer, desobrigada ficará da lei conjugal. De sorte que será considerada adúltera se, vivendo ainda o marido, unir-se com outro homem; porém, se morrer o marido, estará livre da lei e não será adúltera se contrair novas núpcias. Romanos 7.2-3) ou, excepcionalmente, pelo divórcio (Vieram a ele alguns fariseus e o experimentavam, perguntando: É lícito ao marido repudiar a sua mulher por qualquer motivo? Então, respondeu ele: Não tendes lido que o Criador, desde o princípio, os fez homem e mulher e que disse: Por esta causa deixará o homem pai e mãe e se unirá a sua mulher, tornando-se os dois uma só carne? De modo que já não são mais dois, porém uma só carne. Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem. Replicaram-lhe: Por que mandou, então, Moisés dar carta de divórcio e repudiar? Respondeu-lhes Jesus: Por causa da dureza do vosso coração é que Moisés vos permitiu repudiar vossa mulher; entretanto, não foi assim desde o princípio. Eu, porém, vos digo: quem repudiar sua mulher, não sendo por causa de relações sexuais ilícitas, e casar com outra comete adultério e o que casar com a repudiada comete adultério. Mateus 19.3-9).

Se o seu casamento não vai bem, a solução é Jesus! Ele reconstitui todas as coisas.  Restituir-vos-ei os anos que foram consumidos pelo gafanhoto migrador, pelo destruidor e pelo cortador. Joel 2.25a

Lute pelo amor!

Erlete Martins

Fora da prisão

Liberta-me da prisão, e renderei graças ao teu nome. (Sl 142.7.)

 

Prisão é muito mais do que aquele cubículo onde se coloca o culpado de algum crime. Pode ser uma situação temporária de intenso sofrimento para o qual parece não haver alívio de espécie alguma. Pode ser uma enrascada na qual se cai e da qual parece impossível sair devido ao emaranhamento das circunstâncias. Pode ser algum período de angústia insuportável, sem abertura, sem janela, sem sol, sem claridade. Pode ser a “prisão de Deus”, nome dado pelos antigos à doença. Pode ser a escravidão ao álcool, às drogas, à pornografia. Pode ser as quatro paredes da imaginação, dentro das quais nós mesmos nos colocamos.

Frente a qualquer tipo de encarceramento, a prece é a providência mais fácil e mais promissora. Foi o que o salmista fez: “Liberta-me da prisão e renderei graças ao teu nome” (Sl 142.7). Pois prisão é prisão mesmo. Nela não há portas abertas nem alçapões escancarados. Somente Deus pode soltar as algemas, adormecer profundamente os guardas e abrir os portões de ferro (At 12.6-12).

Além de dar comida aos famintos e de levantar os abatidos, “o Senhor liberta os presos” (Sl 146.7). É Ele que tem quebrado as correntes, despedaçado as portas de bronze e rompido as trancas de ferro para soltar o seu povo no correr da história (Sl 107.14-16). O próprio salmista é um dos agraciados: “Senhor, livraste-me das minhas correntes” (Sl 116.16). Por mais reforçada que seja, a prisão prende apenas a pessoa, não a sua súplica!

Retirado de “Refeições Diárias com o Sabor dos Salmos” (Editora Ultimato, 2006).

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